Em 2016, o Brasil tinha apenas 7.600 bicicletas elétricas circulando pelas ruas. Hoje, esse número ultrapassou 284 mil unidades — um crescimento de mais de 3.600% em menos de uma década. E a projeção para 2025 é ainda mais impressionante: o setor espera saltar entre 42% e 55%, podendo superar 80 mil novas e-bikes vendidas apenas este ano.
Não estamos falando de uma tendência passageira. O mercado brasileiro de bicicletas elétricas movimenta R$ 511 milhões por ano e atrai desde o profissional que quer fugir do trânsito até o ciclista amador que investe mais de R$ 100 mil em uma mountain bike elétrica de competição. Mas o que está por trás dessa explosão? E, mais importante: como se preparar para aproveitar — e proteger — esse investimento?
Este guia reúne os dados mais recentes da Aliança Bike e fontes especializadas para explicar por que o Brasil se tornou um dos mercados de e-bikes que mais cresce no mundo, quanto custa entrar nesse universo e o que você precisa saber antes de comprar ou proteger sua bicicleta elétrica.
O Retrato do Mercado Brasileiro de E-bikes em 2025
Os números do Boletim Técnico 2025 da Aliança Bike revelam um mercado em transformação acelerada. Em 2024, chegaram ao país 53.591 novas bicicletas elétricas com pedal assistido — um crescimento de 7,2% em relação ao ano anterior. Quando somamos os autopropelidos (veículos com acelerador), o total ultrapassa 212 mil novas unidades.
O dado mais revelador, porém, é a composição desse mercado. Pela primeira vez, as E-MTB (mountain bikes elétricas) superaram as bicicletas urbanas em volume de produção: 50% contra 48%. É uma mudança significativa que reflete tanto o amadurecimento do consumidor brasileiro quanto o perfil de investimento no segmento.
Para entender essa dinâmica, basta olhar os tíquetes médios: uma E-MTB custa em média R$ 15.618, quase três vezes mais que uma bicicleta elétrica urbana, cujo preço médio fica em R$ 5.871. Isso significa que as mountain bikes elétricas já representam mais de 70% de todo o faturamento do setor, mesmo sendo metade das unidades vendidas.
A Evolução Histórica que Explica o Boom Atual
| Ano | E-bikes em Circulação | Variação |
| 2016 | 7.600 | Base |
| 2019 | 45.000 | +492% |
| 2022 | 180.000 | +300% |
| 2024 | 284.000 | +58% |
| 2025 (projeção) | 380.000+ | +34% |
O salto de 7.600 para 284 mil unidades em oito anos não aconteceu por acaso. Três fatores principais impulsionaram essa transformação: a mudança de comportamento pós-pandemia, que fez milhões de brasileiros redescobrirem a bicicleta; os constantes aumentos no preço dos combustíveis; e a evolução tecnológica que tornou as e-bikes mais acessíveis e confiáveis.
A verdade é que as bicicletas elétricas estão cada vez mais no centro das discussões da mobilidade nacional e algumas associações projetam que o país pode superar 80 mil novas unidades ainda em 2025.
Quanto Custa Uma Bicicleta Elétrica no Brasil
A faixa de preços das e-bikes no mercado brasileiro é tão ampla quanto os perfis de quem as compra. É possível encontrar modelos de entrada a partir de R$ 4.000, enquanto bicicletas de alta performance ultrapassam facilmente os seis dígitos.
Faixas de Preço por Categoria
Entrada (R$ 4.000 a R$ 8.000)
São bicicletas voltadas para trajetos curtos e uso urbano básico. Normalmente equipadas com motores de 250W a 350W, baterias de menor capacidade e autonomia entre 25 e 40 km. Marcas como Biobike, Pedalla e alguns modelos da Machine Motors ocupam esse segmento.
Intermediário (R$ 8.000 a R$ 20.000)
Aqui entram as e-bikes urbanas de qualidade superior e as E-MTB de entrada. Motores mais potentes (até 500W), baterias de lítio com maior durabilidade, câmbios Shimano e componentes que garantem melhor experiência de uso. A autonomia pode chegar a 60-90 km dependendo do modo de assistência.
Premium (R$ 20.000 a R$ 60.000)
Bicicletas elétricas de alta performance para ciclistas exigentes. E-MTBs com suspensões de qualidade, quadros mais leves, baterias de alta capacidade e sistemas eletrônicos avançados. Marcas como Specialized, Sense e Trek dominam esse segmento.
Ultra-Premium (acima de R$ 60.000)
O topo da pirâmide. A S-Works Turbo Levo da Specialized, por exemplo, custa R$ 137.990 — valor equivalente a um carro zero-quilômetro. Com motor de 320W, torque de 50Nm e suspensão traseira sem fio FOX, é uma máquina de competição que representa o estado da arte em bicicletas elétricas.
O Custo Real de Ter Uma E-bike
O preço de compra é apenas o começo. Para calcular o investimento total, é preciso considerar alguns custos adicionais que muitos compradores de primeira viagem ignoram.
A bateria, componente mais crítico de uma e-bike, tem vida útil média de 800 a 1.200 ciclos de carga — aproximadamente 3 a 5 anos de uso intenso. A substituição pode custar entre 30% e 40% do valor da bicicleta, o que significa de R$ 1.500 a R$ 7.000 dependendo do modelo.
Manutenções periódicas (a cada 3 meses) ficam em torno de R$ 100 para reapertos, lubrificações e regulagem de câmbio. Pneus de qualidade podem rodar mais de 5.000 km se calibrados corretamente.
E-bike vs Moto: A Comparação que Todo Brasileiro Quer Ver
A pergunta inevitável: vale mais a pena uma bicicleta elétrica ou uma moto? Os números ajudam a responder, mas a decisão final depende do seu perfil de uso.
Custo de Combustível por Quilômetro
Uma moto de 125 cilindradas consome, em média, 1 litro de gasolina a cada 45 km. Com o combustível custando aproximadamente R$ 5,88 (média nacional em janeiro de 2026), cada quilômetro rodado sai por cerca de R$ 0,13.
Já uma bicicleta elétrica com bateria de 10Ah percorre até 40 km com uma carga completa. O custo dessa recarga? Aproximadamente R$ 0,25 na conta de luz (considerando kWh a R$ 0,53 em SP). Isso significa R$ 0,006 por quilômetro — quase 22 vezes mais barato que a moto.
Em termos práticos: com o valor de 1 litro de gasolina, você percorre cerca de 940 km de bicicleta elétrica contra 45 km de moto.
Custos Anuais Comparativos
| Despesa | Moto 125cc | E-bike |
| Combustível/Energia (1.000 km/mês) | R$ 1.560/ano | R$ 72/ano |
| IPVA | R$ 150-400/ano | R$ 0 |
| Licenciamento | R$ 100-200/ano | R$ 0 |
| Seguro obrigatório | R$ 100-150/ano | R$ 0 |
| Manutenção básica | R$ 1.200-4.200/ano | R$ 400-600/ano |
| Total estimado | R$ 3.110-5.110/ano | R$ 472-672/ano |
A economia anual pode chegar a R$ 4.400, valor suficiente para pagar uma e-bike de entrada em menos de dois anos apenas com a diferença de custos operacionais.
Quando a Moto Ainda Faz Mais Sentido
A bicicleta elétrica não é solução universal. Se você precisa percorrer rodovias, fazer entregas profissionais de longa distância ou mora em cidades com relevo extremamente acidentado e sem qualquer infraestrutura cicloviária, a moto ainda é mais indicada.
A autonomia limitada (maioria dos modelos não passa de 60 km por carga) e a velocidade máxima de 32 km/h para e-bikes legalizadas também são fatores limitantes para quem precisa de deslocamentos mais longos ou rápidos.
A Legislação Brasileira para Bicicletas Elétricas
A Resolução CONTRAN nº 996/2023 estabeleceu regras claras sobre o que pode ou não circular como bicicleta elétrica sem necessidade de habilitação, registro ou emplacamento.
Para ser considerada bicicleta elétrica (e não ciclomotor), o veículo precisa atender a todos estes requisitos: motor auxiliar elétrico de até 1000W, funcionamento exclusivo por pedal assistido (sem acelerador) e velocidade máxima de fabricação de 32 km/h.
Modelos que excedem esses limites são enquadrados como ciclomotores e exigem CNH categoria A ou ACC (Autorização para Conduzir Ciclomotor), além de registro no DETRAN, emplacamento e licenciamento anual. O custo total de conformidade pode somar de R$ 1.960 a R$ 4.036 em quatro anos.
Na prática, isso significa que a maioria das e-bikes urbanas de entrada e intermediárias circula legalmente sem burocracia, enquanto modelos mais potentes (especialmente os autopropelidos) precisam de regularização.
O Perfil do Ciclista Elétrico Brasileiro
Pesquisa da Aliança Bike com mais de 420 ciclistas de bicicletas elétricas traçou um perfil interessante do usuário típico no Brasil.
A maioria utiliza a e-bike para mobilidade urbana: deslocamentos casa-trabalho, compras do dia a dia e pequenas viagens pela cidade. O segundo maior grupo é formado por entusiastas do esporte que migraram para E-MTBs para explorar trilhas mais longas e desafiadoras.
Os principais motivadores de compra são: economia com transporte (citado por 78% dos entrevistados), fuga do trânsito (65%), preocupação ambiental (52%) e manutenção da saúde sem esforço extremo (48%).
O perfil demográfico predominante está na faixa de 30 a 50 anos, com renda familiar acima de R$ 8.000 mensais — o que faz sentido dado o investimento inicial significativo exigido pela maioria dos modelos de qualidade.
A Infraestrutura que Acompanha (ou Não) o Crescimento
O Brasil ainda engatinha em infraestrutura cicloviária, mas os números melhoram gradativamente. São Paulo, maior cidade do país, conta atualmente com 778 km de ciclovias e ciclofaixas — a maior extensão absoluta entre as capitais brasileiras.
Porém, quando analisamos proporcionalmente, a realidade é diferente. Essas ciclovias representam apenas 3,7% da malha viária paulistana. Fortaleza lidera esse ranking com 8,3% das vias dedicadas a bicicletas.
A meta do PlanMob (Plano de Mobilidade de São Paulo) prevê 1.800 km de ciclovias até 2028 e 1.522 km até 2030. Se cumprida, triplicaria a malha atual e transformaria a experiência de quem pedala na capital.
Outras cidades também avançam. Brasília, Fortaleza e Curitiba têm ampliado consistentemente suas redes cicloviárias, e projetos estaduais como o Lote Litoral em SP prometem 73,1 km de ciclovias integradas — a maior do país.
Os Riscos Reais: Roubo e Acidentes com E-bikes
Com bicicletas elétricas custando de R$ 4.000 a mais de R$ 100.000, a preocupação com segurança não é paranoia — é prudência.
Em 2022, o estado de São Paulo registrou 17.872 roubos e furtos de bicicletas, um crescimento de 12% em relação ao ano anterior. Na capital, foram 3.795 ocorrências — média de mais de 10 bicicletas roubadas por dia. E quanto mais valiosa a bike, maior o risco: modelos premium são alvos preferenciais de quadrilhas especializadas.
No Rio de Janeiro, o cenário é semelhante. Dados de maio de 2025 apontam aumento de 18% nos furtos de bicicletas em comparação ao mesmo período de 2024. A Polícia Militar fluminense chegou a lançar funcionalidade específica no aplicativo 190RJ para cadastro de bikes e emissão de alertas em caso de roubo.
A subnotificação ainda é enorme. Muitas vítimas não registram ocorrência por acreditarem que a bicicleta não será recuperada — e infelizmente têm razão: a taxa de recuperação de bicicletas roubadas no Brasil fica abaixo de 5%.
Como Reduzir os Riscos
Algumas medidas práticas podem diminuir significativamente a chance de ter sua e-bike roubada: investir em cadeados de qualidade (modelo “U-lock” é considerado um dos mais seguros), estacionar em locais bem iluminados e visíveis, evitar pedalar em horários de baixo movimento e cadastrar a bicicleta em plataformas especiais para registro da bike.
Para quem possui bicicletas de maior valor, contratar um seguro especializado se torna praticamente obrigatório. A cobertura garante que, em caso de roubo, furto qualificado ou até danos acidentais, pelo menos parte do prejuízo seja recuperado.
Como Funciona o Seguro para Bicicleta Elétrica
O mercado de seguros para bicicletas ainda é pouco explorado no Brasil — menos de 1% das bikes circulando pelo país possuem algum tipo de proteção. Mas com o aumento do valor médio das bicicletas (especialmente as elétricas), essa realidade está mudando.
O Kakau MOBI, por exemplo, oferece cobertura completa para bicicletas manuais e elétricas em três planos: Urbano, Ativo e Performance. As coberturas incluem roubo e furto qualificado (presentes em todos os planos), quebra acidental (nos planos Ativo e Performance) e responsabilidade civil (exclusivo do Performance).
Os planos Ativo e Performance ainda incluem assistência 24h com serviços de remoção em caso de acidente (guincho), transporte do ciclista em caso de mal súbito, e chaveiro para equipamentos como travas e cadeados.
O Que Observar ao Contratar
Antes de escolher um seguro para sua bicicleta elétrica, verifique: se a cobertura inclui especificamente bicicletas elétricas (alguns seguros excluem), qual o limite de indenização em caso de perda total, se há carência (período em que o seguro não cobre sinistros), e quais as condições para acionar a cobertura de furto qualificado.
O seguro de bicicleta da Kakau contempla todos esses pontos: cobre bicicletas elétricas em todos os planos, não tem carência, não cobra multa por cancelamento e oferece processo de sinistro 100% digital — sem burocracia de ligações, formulários impressos ou espera de dias por uma resposta.
Perguntas Frequentes
1. Bicicleta elétrica precisa de CNH?
Não, desde que atenda aos requisitos da Resolução CONTRAN 996/2023: motor de até 1000W, funcionamento apenas por pedal assistido (sem acelerador) e velocidade máxima de 32 km/h. Modelos fora dessas especificações são classificados como ciclomotores e exigem habilitação categoria A ou ACC.
2. Quanto tempo dura a bateria de uma e-bike?
A bateria de íon-lítio (padrão atual) tem vida útil de 800 a 1.200 ciclos de carga completa, o que equivale a 3-5 anos de uso regular. Cuidados como evitar descargas totais, não expor a temperaturas extremas e usar carregador original prolongam significativamente essa durabilidade.
3. Vale a pena comprar uma e-bike importada?
Depende. Modelos importados diretamente podem ter preços atrativos, mas frequentemente carecem de assistência técnica no Brasil, peças de reposição e garantia válida. A economia inicial pode virar prejuízo se você precisar de manutenção especializada que nenhuma oficina local consegue realizar.
4. E-bike pode circular em ciclovia?
Sim, bicicletas elétricas com pedal assistido (sem acelerador) são equiparadas a bicicletas convencionais e podem usar ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas normalmente. Já os autopropelidos (com acelerador) têm restrições e, dependendo da potência, podem ser proibidos em ciclovias.
5. Quanto custa carregar uma bicicleta elétrica?
Uma carga completa de bateria típica (36V/10Ah) consome aproximadamente 0,66 kWh. Com o kWh custando cerca de R$ 0,53 em São Paulo, o custo por carga fica em torno de R$ 0,35 — suficiente para rodar 30-50 km dependendo do modelo e modo de uso.
6. Posso usar minha e-bike na chuva?
A maioria das e-bikes modernas tem classificação de resistência à água (geralmente IP54 ou superior), o que significa que podem ser usadas em chuva leve sem problemas. Porém, não são à prova d’água: evite submergir componentes elétricos, molhar diretamente a bateria ou o painel de controle, e seque a bicicleta após uso em condições adversas.
7. Existe seguro que cobre bicicleta elétrica?
Sim. Seguradoras especializadas como a Kakau oferecem cobertura completa para e-bikes, incluindo roubo, furto qualificado e quebra acidental.
8. Qual a autonomia real de uma e-bike?
A autonomia declarada pelos fabricantes raramente corresponde ao uso real. Fatores como peso do ciclista, terreno (subidas consomem muito mais), temperatura ambiente, pressão dos pneus e nível de assistência utilizado afetam drasticamente o alcance. Uma regra prática: considere 60-70% da autonomia anunciada para planejar seus trajetos.
9. E-bike emagrece? É exercício físico?
Sim, pedalar bicicleta elétrica ainda é exercício físico, mesmo com assistência do motor. Estudos mostram que usuários de e-bike tendem a pedalar distâncias maiores e com mais frequência do que usuários de bicicletas convencionais, resultando em gasto calórico total muitas vezes equivalente ou superior.
10. Por que as E-MTB são tão mais caras que as urbanas?
Mountain bikes elétricas exigem componentes muito mais robustos: suspensões que absorvem impactos de trilhas, quadros reforçados para suportar saltos, motores com maior torque para subidas íngremes, e baterias de maior capacidade para percursos longos. Todo esse desenvolvimento tecnológico adicional justifica o tíquete médio três vezes maior.
Conclusão
O mercado brasileiro de e-bikes não está apenas crescendo — está se transformando. De 7.600 unidades em 2016 para projeções que podem superar 380 mil bicicletas elétricas circulando em 2025, o Brasil se consolida como um dos mercados mais dinâmicos do setor na América Latina.
Para quem considera entrar nesse universo, os números são convincentes: economia de até R$ 4.400 por ano em comparação com uma moto, custo de R$ 0,006 por quilômetro rodado, zero impostos anuais e contribuição real para uma mobilidade mais sustentável.
Mas investir em uma e-bike — especialmente nos modelos de maior valor — exige também planejamento para proteção. Com roubos crescendo dois dígitos ao ano nas principais capitais e bicicletas que podem custar mais que um carro popular, ter um seguro adequado deixou de ser opcional.
O Kakau MOBI foi desenvolvido pensando exatamente nesse novo perfil de ciclista: proteção completa para bicicletas manuais e elétricas, sem carência, sem multa de cancelamento, processo 100% digital e a única franquia decrescente do mercado brasileiro. Porque quem investe em mobilidade inteligente merece uma proteção à altura.




