Você vai sair de casa hoje com seu celular no bolso. Provavelmente vai usá-lo no caminho, consultar um aplicativo de banco, responder uma mensagem, verificar um e-mail. É rotina. E é exatamente essa rotina que torna o celular o bem mais roubado e furtado do Brasil.
Em 2024, segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), foram registrados oficialmente 917.748 celulares subtraídos — entre roubos e furtos — em todo o território nacional. Isso equivale a mais de 2.500 aparelhos perdidos por dia, ou um celular a cada 34 segundos.
A boa notícia: os números caíram 12,6% em relação a 2023, quando foram registrados 969.197 casos. A má notícia: quase um milhão de aparelhos por ano ainda é uma cifra fora de controle — e apenas 1 em cada 12 celulares subtraídos é recuperado pelas polícias.
Este artigo reúne os dados mais completos e atualizados sobre o tema, todos extraídos diretamente do Anuário 2025, a publicação de referência em segurança pública no Brasil. Se você quer entender o risco real — e o que fazer diante dele — leia até o final.
O Panorama Nacional: queda nos números, mas risco permanece alto
A tendência de queda nos crimes patrimoniais físicos é uma das marcas de 2024. Roubos de veículos caíram 10,4%. Roubos a residências, 19,2%. Roubos a transeuntes, 22,6%. No total de ocorrências de roubos, a queda chega a 51% se comparado a 2018, conforme aponta o Anuário 2025 do FBSP.
Celulares seguiram essa tendência — mas com uma ressalva importante. Enquanto os roubos (com violência ou ameaça) continuam em queda, os furtos (sem contato físico com a vítima) cresceram em proporção. Em 2018, furtos representavam 43,7% dos casos. Em 2024, já são 56% do total.
Isso não é coincidência. Há uma reorganização do crime: menos confronto físico, mais discrição. O ladrão de celular de 2024 prefere agir sem ser notado. E justamente por isso, uma parcela relevante das vítimas só percebe a perda muito tempo depois.
Outro dado que chama atenção: apesar da queda geral, apenas 8% dos aparelhos subtraídos são recuperados pelas forças policiais, na média nacional. Alguns estados avançaram com programas específicos de recuperação, mas a maioria do país ainda não tem ações estruturadas para isso.
O ranking das cidades mais perigosas para seu celular
Para comparar municípios de tamanhos tão diferentes, a métrica mais adequada é a taxa por 100 mil habitantes. E o ranking de 2024 traz surpresas para quem associa perigo apenas com as grandes capitais do Sul e Sudeste.
Segundo a Gazeta do Povo, com base nos dados do Anuário 2025 do FBSP, as 20 cidades com maiores taxas de celulares subtraídos por 100 mil habitantes (municípios com mais de 100 mil habitantes) são:
| POSIÇÃO | CIDADE | TAXA (POR 100 MIL HAB.) |
| 1º | São Luís (MA) | 1.599,7 |
| 2º | Belém (PA) | 1.452,2 |
| 3º | São Paulo (SP) | 1.425,4 |
| 4º | Salvador (BA) | 1.396,7 |
| 5º | Lauro de Freitas (BA) | 1.392,0 |
| 6º | Porto Velho (RO) | 1.363,1 |
| 7º | Timon (MA) | 1.335,0 |
| 8º | Olinda (PE) | 1.155,7 |
| 9º | Teresina (PI) | 1.154,6 |
| 10º | Recife (PE) | 1.113,9 |
| 11º | Cariacica (ES) | 1.088,5 |
| 12º | Ananindeua (PA) | 1.077,5 |
| 13º | Vitória (ES) | 1.027,1 |
| 14º | Natal (RN) | 1.019,9 |
| 15º | Praia Grande (SP) | 998,7 |
| 16º | Passo do Lumiar (MA) | 990,8 |
| 17º | Belo Horizonte (MG) | 943,9 |
| 18º | Florianópolis (SC) | 923,4 |
| 19º | Marituba (PA) | 911,8 |
| 20º | Fortaleza (CE) | 907,2 |
São Luís lidera com folga: quase 1.600 celulares subtraídos para cada grupo de 100 mil habitantes. Belém, em segundo, supera 1.450. São Paulo fecha o pódio — e aqui os números absolutos revelam a escala do problema.
A capital paulista concentra apenas 5,6% da população brasileira, mas responde por 18,5% de todos os celulares roubados e furtados do país. Praticamente um em cada cinco aparelhos subtraídos no Brasil sai de São Paulo. Já o Rio Grande do Sul, para comparação, apresentou a menor taxa do país: 27,9 roubos por 100 mil habitantes em 2024, segundo o Governo do RS.
Essas 20 cidades juntas foram responsáveis por 40% de todos os registros de roubos e furtos de celular no Brasil em 2024.
O perfil da vítima: quem perde mais o celular
Os dados do Anuário 2025 do FBSP traçam um retrato preciso de quem são as vítimas de roubo de celular no Brasil:
Por sexo: 59,1% das vítimas de roubo são homens. Nos furtos, o perfil se inverte: 50,2% das vítimas são mulheres.
Por faixa etária: mais da metade das vítimas de roubo (52%) tem entre 20 e 39 anos. É a faixa mais ativa digitalmente, que mais usa o celular em espaços públicos e que carrega os aparelhos de maior valor.
Por raça/cor: 63,1% das vítimas de roubo de celular são pessoas negras — dado que reflete as desigualdades estruturais de exposição ao risco no país.
Por local: impressionantes 79,6% dos roubos de celular ocorrem em via pública. Nos furtos, esse percentual cai para 43,7%, com maior participação de estabelecimentos comerciais.
Esses números têm uma implicação direta: a maioria dos roubos acontece ao ar livre, com a vítima usando ou portando o aparelho. Não é um problema doméstico. É um risco do cotidiano urbano.
Os dias e horários de maior risco
O Anuário 2025 mapeou com precisão os padrões temporais dos crimes — e os dados revelam lógica clara.
Dias da semana: quase 30% dos roubos de celular (29,8%) se concentram às quintas e sextas-feiras. São os dias de maior movimento nas ruas, com mais pessoas se deslocando para trabalho, lazer e compras. Nos furtos, o padrão é oposto: 34% ocorrem nos finais de semana (sábado e domingo), quando há mais circulação em shoppings, eventos e parques.
Horários críticos para roubos:
- 6h às 8h da manhã: horário de pico de deslocamentos para o trabalho. Metrôs e ônibus lotados, atenção dispersa, aparelhos à vista.
- 19h às 20h: retorno para casa. O mesmo cenário se repete, com o agravante da fadiga do dia.
Horários críticos para furtos:
- 10h da manhã: pico de movimento em áreas comerciais e de serviços.
- 17h às 20h: saída do trabalho e horário de compras.
Esses padrões não são aleatórios. Eles seguem a lógica de quem está mais vulnerável: distraído, com pressa, no meio da multidão.
Celular Roubado: a perda vai muito além do aparelho
Há uma percepção comum e equivocada: perder o celular é perder o hardware. Um aparelho que pode ser substituído. Mas o crime mudou de natureza.
Segundo advogados especializados em segurança pública ouvidos pela imprensa, após a subtração, o primeiro passo dos criminosos é tentar realizar golpes, fraudes e saques com as informações da vítima no próprio aparelho — antes mesmo de revendê-lo ou desmontá-lo para peças.
Aplicativos bancários desbloqueados, senhas salvas, acesso a e-mails, cartões virtuais, chaves Pix — tudo isso transforma o celular roubado em uma chave-mestra para o patrimônio digital da vítima. O Anuário 2025 registra que o crescimento dos estelionatos (alta de 408% desde 2018) está diretamente relacionado à cadeia do crime de celular.
O custo real de um celular roubado, portanto, vai muito além do preço do aparelho.
O que fazer antes, durante e depois
O cenário é grave, mas não é sem saída. Há ações concretas que reduzem significativamente o risco — e limitam o dano em caso de ocorrência.
Antes (prevenção):
✅ Ative o bloqueio automático de tela com senha, PIN ou biometria — nunca deixe o aparelho desbloqueado em espaços públicos.
✅ Configure limites de transação nos seus aplicativos bancários. A maioria dos bancos permite definir valores máximos para Pix e transferências pelo celular.
✅ Ative a autenticação em dois fatores nos apps mais sensíveis (e-mail, banco, WhatsApp). Isso cria uma barreira extra mesmo que o aparelho seja desbloqueado.
✅ Registre seu celular no Celular Seguro, plataforma do Ministério da Justiça. Em caso de roubo ou furto, você bloqueia o aparelho e aciona todos os bancos e operadoras em um único cadastro.
✅ Anote o IMEI do seu aparelho (disque *#06#). É o número que permite o bloqueio do aparelho junto à Anatel e às operadoras.
Durante (se você for abordado):
❌ Não reaja. Nenhum aparelho vale a integridade física.
✅ Tente memorizar ou observar características do abordador para o boletim de ocorrência.
Depois (resposta imediata):
✅ Registre o boletim de ocorrência (pode ser feito online na maioria dos estados).
✅ Acesse o Celular Seguro para bloquear o aparelho e acionar os bancos.
✅ Contate seu banco imediatamente para bloquear cartões e chaves Pix.
✅ Mude as senhas de e-mail e redes sociais de outro dispositivo.
Proteção que vai além: por que o seguro de celular é parte da estratégia
Mesmo com todas as precauções, o risco não chega a zero. E é aqui que entra uma camada de proteção que ainda é subutilizada no Brasil.
Segundo a FenaSeguro, existem aproximadamente 10 milhões de celulares segurados no país — cerca de 4% do total de aparelhos em circulação. Em um país com quase um milhão de aparelhos subtraídos por ano, essa lacuna é expressiva.
O seguro de celular não é apenas reposição do aparelho. As coberturas modernas incluem proteção contra transações financeiras indevidas realizadas após o roubo — exatamente o tipo de dano que os dados do Anuário mostram ser o mais devastador. Roubo, furto, quebra acidental e golpes digitais pós-subtração são coberturas que existem e que fazem diferença real.
A Kakau Protege oferece um seguro de celular desenvolvido para a realidade brasileira: contratação digital, acionamento ágil e coberturas que refletem o perfil atual do crime. Não é gasto — é planejamento financeiro inteligente diante de um risco documentado.
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